Por Giovana Schneider
Desde os tempos áureos, quando Marechal ainda era uma pequena vila, a cultura sempre teve um papel vital, como demonstram as inúmeras histórias narradas, pesquisadas e estudadas pelo nosso renomado florianense: Jair Littig.
Como abaixo ele narra a respeito do primeiro professor da região de Marechal Floriano:
Johannes Ulrich Kuster — Nasceu em 17 de janeiro de 1847, na Suíça, em Diepoldsau, Kanton de St. Gallen, filho de Johan Kuster e Barbara Weder Chegou no Brasil ainda jovem com 16 anos. Foi o primeiro professor da região de Marechal Floriano, Ulrich foi um homem muito culto, tocava violino, gostava de ler, tinha uma boa biblioteca, sendo seu escritor preferido Shakespeare. Além do alemão, ainda falava o francês. Aperfeiçoou o português. Um dos documentos mais importante sobre o Ulrich, é a sua naturalização, outorgado pelo D. Pedro II, e assinado pelo Barão Homem de Melo, datado de 12 de julho de 1881. Em 17 de setembro de 1884 o presidente da província Dr. José Camillo Ferreira Rabelo nomeia uma comissão com a finalidade de agenciar donativos para serem aplicados em várias obras na Colônia de Santa Isabel. Entre várias pessoas, consta o nome de Ulrich Kuster Exposição Provincial – fevereiro/1889. Foi uma amostra organizada pela Sociedade Espírito – Santense de Imigração, com objetivo de angariar produtos produzidos no Estado, para serem enviados à Exposição Universal de Paris. Na exposição continha fotos da casa do Ulrich, tirados pelo seu compadre, o grande fotografo Albert Richard Dietze. Realizou várias viagens a Europa, retornando a sua cidade natal. Em 1886 foi juiz de paz na antiga colônia de Santa Isabel. Faleceu em 26 de março de 1921, sepultado no antigo cemitério de Marechal Floriano.
Em Marechal Floriano habitam escritores, escritoras, poetas, poetisas, artistas plásticos, historiadores, pesquisadores, artesãos, músicos e um sem-número de outros talentosos artistas. Lembrando que o Grupo Capixaba de Seresta: “Sinfonia da Mata”, nasceu em Marechal Floriano.
Neste contexto, foi fundada em 23 de julho de 2021 a guardiã da Cultura Florianense: a AFHAL – Academia Florianense de História, Artes e Letras “Flores Passinatto Kuster”.

Além disso, temos obras literárias que abordam a história de Marechal Floriano e suas imediações.
— “Marechal Floriano – Resgatando Memórias” (Giovana Schneider). Que já está na sua segunda edição.
— “Santa Maria – Memórias de um povo unido pela fé” (Rogério Brambilla). Rogério Brambilla faleceu em 16 de maio de 2023, aos 42 anos, em Santa Maria de Marechal. Ele sempre foi um apaixonado por história e deixou essa obra linda como legado para Santa Maria.
— “Marechal Floriano — O Surgimento De Um Município” (Valmere Klippel Santana e Jair Littig). Esta é uma obra de significativa relevância, não apenas para Marechal Floriano, mas também para o estado do Espírito Santo, como falou um dos pesquisadores Cezar Tadeu Ronchi Junior.

Cattleya warneri
A palavra cultura vem do termo em latim colere, que significa cuidar, cultivar e crescer. A cultura é o começo, meio e o fim. A cultura representa a soma de toda uma existência, abrangendo desde as expressões artísticas até a construção e as narrativas da sociedade. Tudo é parte da cultura. Marechal Floriano também é conhecida como “Cidade das Orquídeas”.
Quando falamos em cultura, logo pensamos na Secretaria da Cultura, pois é reponsabilidade dela formular e implementar politicas públicas de cultura no município. Ela também é responsável por promover e articular a cultura na cidade.
Em Marechal Floriano, as secretarias de Turismo e Cultura estão unidas. Recentemente, foi apresentado à Câmara Municipal de Marechal Floriano um projeto visando o desmembramento dessas secretarias. Contudo, com um resultado de 7 votos contra e apenas 3 a favor, a proposta foi rejeitada. As opiniões a respeito da questão são diversas.
Segundo o professor e historiador Valmere Klippel Santana: “Não se pode fazer economia às custas da nossa cultura. Se o momento é de austeridade e é necessário fazer economia, isso deve ser buscado nos muitos ralos por onde escoa o orçamento! Essa é a minha humilde opinião de cidadão que ama a cultura e atua nela voluntária e desinteressadamente!” e completou — “Respeito opiniões diversas, mas pontuo que em termos de cultura, uma pasta é essencial para planejar as políticas públicas de cultura, muitas das quais nem demandam dispêndios financeiros, mas sobretudo estrutura técnica de pessoal de planejamento para posterior implementação. Portanto, precisamos de uma secretaria sim, mesmo que não tenhamos dinheiro agora para implementação de projetos, mas como espaço para inventariar potenciais culturais, pensar políticas e buscar recursos para implementação”.
“A Cultura em Marechal Floriano está em situação de abandono e precisa de reconhecimento. Existem recursos financeiros disponíveis, que não são insignificantes, apenas precisamos de pessoas competentes para liderar esse processo. É inadmissível que a cidade continue à mercê da falta de iniciativas culturais, como tem ocorrido até agora”, completou.
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Respostas de 8
Estão deixando a cultura morrer, é fácil deixar a cultura do município de lado quando se tem dinheiro para viajar e conhecer culturas de outras cidades,outros países,mas se é para ser a favor da cultura que se comece pela nossa,vi vereadores que votaram contras curtindo a cultura bem longe de Marechal,eu como músico, participante do coral italiano em Araguaya fico triste em ver tantos adultos e crianças tentando manter viva a nossa cultura, enquanto por causa de birras políticas não deixam semear nossas tradições culturais em nosso município,estamos sendo reconhecidos por outros municípios e outros estado,mas o real valor cultura que devia ser prestigiado pelos nossos não está acontecendo,mas não vamos desistir,sempre em frente.
Parabéns Giovana Schneider,matéria bem elaborada,escrita e com o tom nescessário para se fazer entender! Viva a Nossa Cultura.
A omissão do poder público municipal é nítida.
Como podemos falar em cultura sem termos ao menos um espaço adequado com o mínimo necessário (me refiro ao mínimo mesmo: banheiro e água para beber) para os ensaios dos Corais Italianos de Araguaya?
E apoio com transporte necessário quando somos convidados a eventos? Sempre dependendo dos nossos esforços próprios.
Cansativo demais.
Isto desanima.
Os grupos so existem mesmo pela determinação dos participantes…
Isto preciso ser revisto urgentemente.
Acredito que o legislativo de Marechal Floriano deverá analisar esta proposta, em outro momento, com uma visão voltada para colocar o município num patamar elevado no contexto cultural do estado do Espírito Santo. Assim esperamos 2026.
Perfeita sua explicação… Não se faz aprovação da noite pro dia sem considerar as consequências… sem planejamento, sem o devido debate com a população, o executivo e legislativo… Tudo tem o seu tempo… Será com certeza um projeto bom para nosso Município mas com muita responsabilidade e interesse coletivo…
Acho que estão equivocados em relação ao desmembramento da Secretaria de Cultura… Como bem disse o Professor Oberdan, o projeto é importante, mas a ser apreciado e aprovado no momento certo. Algumas pessoas que não posso citar nomes estão interessadas no cargo e não na verdadeira cultura… Hoje a Secretaria possui 26 servidores lotados nela.. Orçamento pequeno para esse ano.. É preciso dialogar com a população, com as lideranças que enxergam a cultura como patrimônio e não como balcão de negócios da politica, que contribuem com projetos e ações verdadeiras e não como alto promoção. É preciso ter dotação orçamentária para exercício 2026 e assim termos todas as condições de aprovar e fazer com que o executivo possa desenvolver um projeto que atenda aos interesses e anseios da população Florianense, e neste contexto podem contar com a minha participação e aprovação.. Há um tempo pra plantar e um tempo pra colheita… Boa noite a todos.. Paz e bem
Não deixem a “cultura” morrer! Com ela vão-se os valores e, sem ambos, o que resta é o nada.
Matéria excelente. Vamos nos unir e salvar a cultura do nosso município.