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Hepatite B lidera número de casos no ES

Quase 70% das notificações da doença no Espírito Santo este ano são do tipo B, que não tem cura mas pode ser prevenido

 

15.07.2022

 

 

Redação

 

Dos 175 casos de hepatites virais registrados entre 1º de janeiro e 23 de junho deste ano no Espírito Santo, 122 são do tipo B (HBV), o que corresponde a quase 70% das notificações no estado. Apesar de não ter cura, a hepatite B pode ser prevenida.

 

A transmissão da doença ocorre por meio do sangue, saliva e fluidos genitais; por isso, é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Estudo que avaliou 587 portadores crônicos de HBV acompanhados no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam) aponta que a transmissão vertical e intrafamiliar é a principal responsável pelos casos registrados no Espírito Santo.

 

A médica e professora do Departamento de Clínica Médica da Ufes Tânia Queiroz Reuter Motta, uma das autoras da pesquisa, explica sobre essa forma de transmissão. “A doença é passada da mãe para o filho durante a gravidez ou no parto. Essa é uma das principais razões para o Espírito Santo apresentar mais casos de hepatite B do que os outros estados. Aqui temos cerca de três vezes mais do que a prevalência nacional da doença, que é de 0,5% da população”, afirma.

 

Por isso, o pré-natal seguro ajuda a mitigar o problema. “Antes, não era obrigatório testar a grávida para HIV, hepatites B e C, sífilis. Agora o teste é feito no primeiro e no último trimestre da gestação para evitar a contaminação vertical”, destaca.

 

O estudo mostrou, ainda, que o genótipo A do vírus da hepatite B é o mais prevalente no estado. O genótipo é uma variante viral, sendo o tipo A encontrado com mais frequência no norte da Europa, América do Norte e África Subsaariana. A prevalência do genótipo A no Espírito Santo “pode ser resultado da população africana trazida durante o período colonial da escravidão (século XVI) e da população de imigrantes europeus, principalmente italianos (no século 19 e início do século 20)”, aponta o artigo. 

 

Os microssistemas propícios à contaminação, com muita aglomeração de pessoas e compartilhamento de agulhas – como a população em situação de rua, usuários de drogas e apenados – também colaboram para a transmissibilidade.

 

O vírus HBV é potencialmente mais infeccioso que os da hepatite C e do HIV, mas pode ser evitado especialmente por meio da vacinação, uso de preservativo nas relações sexuais e não compartilhamento de seringas, agulhas, material de manicure e pedicure, além de outros instrumentos perfurocortantes ou objetos de higiene pessoal que possam ser meios de disseminação da doença.

 

Evolução

 

Na maioria das vezes o próprio sistema imunológico combate espontaneamente a infecção causada pela hepatite B até seis meses após o início dos sintomas, que podem se manifestar por meio de cansaço, enjoo, febre baixa e dor abdominal. Quando isso não ocorre, a infecção é considerada crônica e não tem cura, sendo possível apenas o controle por medicação via oral, uma vez por dia, durante toda a vida.

 

Com o tratamento, a qualidade de vida do paciente fica preservada. “Não é necessária nenhuma restrição. A pessoa vive normalmente. Só não pode fazer uso abusivo do álcool, mas isso é uma recomendação para a população em geral. O álcool é um acelerador da doença”, observa Tânia Reuter.

 

Vale destacar que nem todo mundo precisa de tratamento farmacológico para a hepatite B. A médica explica que, em cerca de 2% dos casos, a doença regride espontaneamente: “Há também as pessoas que têm o vírus, mas a doença não evolui. São portadores com a doença inativa. Nessa situação, o portador do vírus só faz atendimento ambulatorial e consulta semestral.”

 

A indicação de tomar ou não a medicação levará em conta a carga viral, a atividade inflamatória e o grau de fibrose no fígado. A cada consulta a necessidade de medicação é reavaliada com base nesses três fatores.

 

A falta de tratamento, por outro lado, gera graves consequências e a doença pode progredir para cirrose hepática (ainda que a pessoa não consuma álcool) ou para o câncer de fígado.

 

Vacina contra a hepatite B

 

A vacinação é a melhor forma de prevenção contra a hepatite B. Conforme informações disponibilizadas no site do Ministério da Saúde, o imunizante é aplicado em três doses. A primeira é logo após o nascimento. A segunda com 1 mês de vida e a terceira aos 6 meses. A pessoa fica, assim, protegida para o resto da vida, sem necessidade de dose de reforço. Para os adultos que não se vacinaram na infância, são três doses com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda dose e de 180 dias entre a primeira e a terceira dose.

 

Hepatite

 

A hepatite é a inflamação do fígado que pode ser causada por vírus, mas também por uso de alguns remédios, álcool ou drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas e até genéticas. As hepatites virais podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D (Delta) e E.

 

Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), entre os anos de 1999 e 2021, foram confirmados 16.333 casos de hepatites virais no Espírito Santo. Uma média de 742 registros ao ano. Desses, 2.653 (16%) foram causados pelo vírus da hepatite A, 8.852 casos (54%) pelo vírus da hepatite B e outros 4.828 (30%) pelo vírus da hepatite C.

 

Entre 1999 e 2021, o estado não teve casos de hepatites D e E. O motivo, conforme a Sesa, é que “a hepatite Delta não é endêmica no estado e não tivemos casos com confirmação sorológica nesse período. Houve casos esporádicos de hepatite E no Brasil até meados da década de 90 (nenhum no Espírito Santo)”.

 

Sintomas

 

Uma das características mais marcantes da pessoa com hepatite é a icterícia, que consiste no amarelamento da pele e dos olhos. Outros sintomas comuns são mal-estar, náuseas e vômitos, urina escura e fezes esbranquiçadas.

 

Entretanto, nem sempre as hepatites apresentam sintomas. Por isso, são doenças com alto risco de evolução. Podem, inclusive, tornar-se crônicas, gerando danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer.

 

A Sesa alerta que a chance de progressão para insuficiência hepática é maior em indivíduos imunossuprimidos e em pessoas com doença prévia do fígado.

 

Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina. A doença pode ser detectada por meio de testes rápidos para os tipos B e C, disponíveis no sistema público de saúde. Já a hepatite A é uma doença diagnosticada pelo exame anti-HAV IgM, realizado em sangue obtido por punção venosa.

 

Tratamento

 

A hepatite A é uma doença aguda e seu tratamento se baseia em dieta e repouso. A melhora costuma acontecer em algumas semanas. Após a contaminação, a pessoa adquire imunidade e não terá uma nova infecção.

 

Como as hepatites B e D não têm cura, devem ser controladas com medicação. Diferente da hepatite B, que deve ser controlada por medicação oral diária pelo resto da vida, a hepatite D é tratada com remédio aplicado semanalmente durante um ano.

 

Já a hepatite C é tratada com medicamento por via oral durante 12 semanas e tem uma chance de cura de 95%.

 

Formas de transmissão

 

A hepatite D é transmitida da mesma forma que a B. Já o tipo C tem como principal meio de infecção o contato sanguíneo. Assim como ocorre no caso da hepatite B, é possível também – porém com menos frequência – a contaminação durante a gravidez e parto pelos vírus C e D. Trata-se da chamada contaminação vertical.

 

As hepatites A e E, por sua vez, têm suas causas diretamente relacionadas às condições de saneamento básico e de higiene. A contaminação é fecal-oral, ou seja, acontece por meio de água ou alimentos contaminados.

 

Cabe ressaltar que a transmissão por meio de transfusão de sangue ou hemoderivados é atualmente considerada rara em razão da melhoria das tecnologias de triagem de doadores e sistemas de controle de qualidade mais eficientes.

 

Campanha

 

Ao longo deste mês, em razão da campanha Julho Amarelo, de conscientização sobre as hepatites virais, a Sesa prestará apoio aos municípios participando de fóruns de capacitação de profissionais de saúde e incentivando campanhas de testagem rápida da população, bem como distribuição de materiais educativos e preservativos.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu 28 de julho como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, mesma data definida no calendário oficial para marcar a luta contra a doença no Espírito Santo.

 

Prevenção

 

A vacina é uma forma de prevenção contra as hepatites do tipo A e B. Vale destacar que quem se vacina para o tipo B se protege também da hepatite D. As vacinas estão disponíveis gratuitamente no SUS. Para os demais tipos de vírus não há vacina.

 

O imunizante contra hepatite A é oferecido no esquema de uma dose para crianças de 15 meses a 5 anos incompletos (4 anos, 11 meses e 29 dias). Além disso, a vacina está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), no esquema de duas doses – com intervalo mínimo de 6 meses – para pessoas acima de 1 ano de idade com determinadas condições de saúde, como quem vive com HIV ou com doença que reduz a imunidade.

 

Tânia Reuter ressalta que o Espírito Santo, junto com Amazonas e Paraná, foi pioneiro na vacinação contra a hepatite. “Começamos a vacinar cerca de 1 ano antes do restante do país”. A razão, explica, é que os três estados lideravam os casos da doença. A médica destaca, ainda, a eficácia da vacina. “Ela é altamente eficaz, da ordem de 99,7%.”

 

Segundo dados da Sesa, a cobertura vacinal em 2021 atingiu 77,79% para a proteção Penta (que imuniza contra hepatite B, difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae) e 75,31% de imunização contra a Hepatite A.

 

Onde buscar ajuda

 

A Sesa orienta que pessoas com casos não graves devem buscar tratamento nas unidades básicas de saúde. Casos mais severos, com apresentação vômitos persistentes, dor abdominal intensa, coloração amarelada de pele e mucosas, febre por mais de três dias, tontura, falta de ar e sonolência, são direcionados aos pronto atendimentos.

 

 

 

 

 

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